Facebook

Crítica - Alien: Covenant (2017)

Alien: Covenant


Gênero: Ação, Ficção Científica
Estreia: 11 de maio de 2017
Duração: 123 minutos
Pais: EUA



 Ridley Scott é um diretor que sempre me impressiona, seja por fazer um filme grandioso e profundo como Blade Runner ou Gladiador, ou por fazer filmes extremamente desinteressantes e rasos, como Robin Hood e Exodus, ou até Hannibal. O caso de Alien: Covenant não pertence a nenhum dos lados, não é um filme grandioso, porém também não é desinteressante.


O longa é uma continuação do filme Prometheus, de 2010, no qual Ridley resolveu expandir o universo Alien, criando elementos interessantes e discutíveis, que nos dava esperança pelo futuro da franquia. Por mais que Prometheus não tenha cumprido totalmente sua promessa, (sim, fiz essa piada, perdão) pelo menos conseguiu apresentar novos personagens e uma trama envolvente. O problema disso é que o Ridley só se lembra de Prometheus em Covenant em apenas 3 ou 4 cenas, juntamente com o arco do personagem David (o androide interpretado por Fassbender que retorna nesse novo longa). Aliás, Fassbender praticamente leva o filme "nas costas" desta vez, é sem dúvidas o personagem mais interessante da franquia Alien. 


Entrando no filme, declaro que o Ridley Scott foi "infectado" pelas sequências de Alien e transformou o xenomorfo em um vilão da Marvel, infelizmente. O que ele usava como suspense, válvula da narrativa e parte do espetáculo em Alien, em Covenant é totalmente o oposto. Aqui a criatura não fica nas escuras, não vemos apenas sua boca ou seus olhos, e sim a vemos enfrentando uma nave, pulando em cima de pessoas e com uma flexibilidade maior (graças ao CGI). 


É óbvio que isso pode ser visto como uma "modernização" ou "adaptação", eu vejo como perda da identidade, da essência. Ele conseguiu até destruir o primeiro "nascimento" do Alien, se no primeiro filme tivemos um de fato ritual, feito com efeitos práticos e com uma tensão envolvida, em Covenant é estranho, você claramente observa a computadorização na cena, além de não fazer sentido algum pois o xenomorfo já esta com sua estrutura física praticamente completa, apenas em tamanho menor, novamente perdendo sua identidade.


A direção de Ridley oscila assim como sua carreira, em momentos é ótima e extremamente bem apropriada (como no diálogo em "plano sequência" dos dois androides) e em outros extremamente confusa e desconexa (como no ato final inteiro, praticamente). 


Alien: Covenant tenta respeitar suas origens, cria uma atmosfera que insere o espectador e nos presenteia com sequências extremamente intensas e bem construídas, como a primeira descoberta das criaturas no planeta, ou a cena no banho (uma das cenas memoráveis do longa). Porém, também perde totalmente sua identidade pessoal que Ridley prometia retornar em entrevistas, além do filme não se decidir qual será seu foco, um drama existencialista sobre a criação da vida, ou um horror sci-fi e que tenta retornar à atmosfera de seu primeiro filme. Lembrando que você pode abordar as duas ideias em um longa, desde que não seja de forma preguiçosa ou confusa, pois, sendo assim, você está apenas indeciso com o tom de seu filme.   


Nota: 3/5 Casulos

Critica: Otávio Gaudencio

Nenhum comentário